quarta-feira, 3 de maio de 2017

Lido: Digits Are Cold, Numbers Are Warm

Com Digits Are Cold, Numbers Are Warm, do romeno Liviu Radu, regressamos às histórias literariamente fortes. Trata-se de uma história lovecraftiana com vestígios de história alternativa, muito bem construída e com um final perfeito, contada por uma velha recém-viúva que chora o marido. Que chora o marido e vai contando, por entre exortações ao seu pobre morto e comentários depreciativos sobre outras pessoas presentes no velório, o motivo e o modo como o marido morreu. Sendo a história lovecraftiana fácil se torna deduzir que há Grandes Antigos nela metidos, mas não contarei detalhes, pois boa parte do seu interesse consiste no lento desvendar desses detalhes. Há em Radu uma técnica apurada de transmitir informação sem infodumps, entretecendo-a ao avançar da narrativa, mesmo quando constrói a sua história como uma narrativa de contador, como neste caso. Há também nele uma capacidade francamente boa para conduzir a narrativa no ritmo que lhe interessa, o qual, para o meu gosto, poderia ser um pouco mais rápido, ainda que isso talvez fizesse com que se perdesse alguma atmosfera. Mas a maior insuficiência que lhe encontrei está na memorabilidade. Não é uma história memorável. Apesar de conter algumas ideias curiosas, o impacto que causa não é forte, o que torna fácil esquecê-la, um pouco à semelhança do que acontece com a de Ian R. MacLeod. Não fora isso, seria uma história excelente; assim é apenas boa. O que já não é nada mau.

Contos anteriores deste livro:

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